Entrevista a António Castro – Zoomzine

Posted on Outubro 14, 2011. Filed under: Inspiração | Etiquetas:, , , , , |


António Castro é um dos responsáveis pelo site Zoomzine, juntamente com Luís Vieira. A Zoomzine assume-se como uma “revista digital colaborativa” e integra áreas de grande actualidade como Fotografia, Marketing, Design entre outras. O Consumer Behavior Portugal foi tentar descobrir um pouco mais sobre este projecto fascinante.

Consumer Behavior Portugal (CBP) – Em primeiro lugar um agradecimento ao António Castro por nos dar esta entrevista.

Ao aceder ao site da Zoomzine, uma coisa que gostaria de salientar é a diversidade de áreas exploradas: é possível descobrir artigos sobre fotografia, design, marketing, tendências, lifestyle, vídeo, notícias, tecnologia, sociedade… Impõe-se a pergunta: é fácil conciliar todas estas temáticas, por vezes dispersas, de forma a criar um conjunto com sentido? Há uma linha transversal que se possa identificar?

A inequívoca relação entre a imagem, a comunicação e o marketing, sem esquecer o design como elemento unificador ou presente em todas as disciplinas, faz com que seja fácil encontrar um ângulo comum em toda esta aparente dispersão. A própria tecnologia, como aparente tema isolado, é sempre explorada como ângulo social, ou aplicada a uma determinada corrente ou campanha de comunicação, irreverente ou inovadora. É sempre um complemento, e não um tema dedicado, como outros blogs exploram e bem. Talvez se possa identificar como área menos ligada ao conceito ZZ a secção “boa vida”, mas …. quem não gosta de um bocadinho de lazer para alisar um pouco as nossas rugas do stress quotidiano?

CBP – Não são muitos os sites portugueses com esta configuração editorial… O que está na génese da Zoomzine? Há algum projecto em que se tenham inspirado? Como tudo começou?

AC –Eu e o Luís Vieira temos uma relação de amizade e identificação profissional bastante forte. Somos adeptos incondicionais da tecnologia e da comunicação, vendo a mesma por lentes diferentes. Ele, pelo seu prisma de fotógrafo profissional e blogger – um dos primeiros bloggers regulares que conheci – , além de convicto adepto de tudo o que mexe dentro de laptops, gadgets, telemóveis e vídeo. Eu, pelo lado mais focado nos ângulos de marketing e comunicação, mas é  acima de tudo um projeto informal,  que tem como linha editorial essa mesma casualidade integradora, colocando e relacionando temas que sabemos estarem geneticamente relacionados.

CBP – Não estarei longe da verdade ao dizer que a fotografia é o tema de eleição da Zoomzine. Como está o consumidor de fotografia em Portugal? Temos um país de fotógrafos ou ainda é uma disciplina que nos passa ao lado?

 AC –  Esta resposta terei que a deixar para o Luís Vieira, conhecedor profundo dos hábitos fotográficos dos portugueses. Portanto, nas palavras do mesmo, “sim, a fotografia é um dos temas em que mais apostamos. É uma arte cada vez mais democrática e transversal a toda a sociedade. Todos fotografamos e todos gostamos de ver boas fotografias. A proliferação dos smartphones com câmera e acesso à web encurtou drasticamente o tempo entre a recolha duma imagem e a sua partilha com quem queremos. Em Portugal a comunidade fotográfica é grande e bastante activa, e está cada vez mais exigente e atenta, pelo que constitui um desafio diário para nós a publicação de conteúdos que respondam a essas exigências.”

CBP – Vivemos no primado da imagem, quer seja através da fotografia, do vídeo, cinema, design, e não parece querer abrandar… Na sua opinião, o que nos reserva o futuro da imagem e todos os seus sucedâneos? E como afectará a sociedade?

 AC – Vivemos efetivamente  e cada vez mais, de forma quase assustadora, no primado da simplicidade visual da imagem. Ou seja, a simplicidade aqui refere-se à imediatez da apreensão usada como veículo na comunicação. Os estímulos da publicidade, da moda, do vídeo, do marketing e das tendências sociais – incluindo hábitos sócio-culturais – sublevam e sublimam a imagem como patamar de status, integrador ou desagregador de participação social. Não é em vão que as polémicas em torno da moda, do que é moda e da moralidade dos seus conceitos de “beleza editorial” se vão fazendo sentir, com jovens adolescentes de 13 anos a fazerem furor em passereles. Pessoalmente, sou um convicto adepto da imagem, das correlações sensoriais e das disciplinas que envolvem a utilização da mesma de forma profissional. Mas não posso deixar de sentir que existe alguma “estupidificação” através do imediato e um cada vez menor poder de encaixe e pensamento abstracto, foco e concentração nas gerações mais jovens, com dificuldades de aprendizagem quando confrontados com métodos menos “ilustrados”.

CBP – Puxando um pouco o assunto para a minha área, qual o papel que o elemento “imagem” tem hoje em dia nas pessoas, enquanto consumidoras?

 AC – Uma boa imagem vale por mil palavras. Uma boa imagem de marketing pode valer por mil vendas. Ainda tive a oportunidade de trabalhar em agências de publicidade onde havia – muito antes da proliferação dos “image banks” online, uma sala de arquivo impresso com centenas de catálogos temáticos de imagens. Os processos usuais de criatividade envolviam a pesquisa apurada de centenas ou milhares de imagem em busca da que se encaixava melhor no conceito. Quando essa mesma imagem não encaixava, a sessão fotográfica contextual era a solução. É fácil por isso perceber a busca “desesperada”, na construção dos conceitos de marketing, no intuito de achar a melhor relação e sentido de identificação do produto, no consumidor, criando o elo emocional que o liga ou não à aquisição. Portanto, a obessão da imagem que em tudo nos rodeia é alimento, causa e consequência simultânea dela mesma. Naturalmente que somos os mentores dos processos, mas estamos também a deixar que determinados processos nos “monitorizem” e condicionem o comportamento, de forma semi-voluntária.

CBP – Por fim, a pergunta da praxe aqui no CBP. Do seu ponto de vista, como acha que será o consumidor de amanhã? O que vai mudar?

 AC – Acho que já temos um consumidor de amanhã, hoje. As redes sociais, a sua penetração absurda e convicta, os comparadores de preço e o boca-a-boca em tempo real amplificado, espalhado e viralizado pelas redes, faz com que um consumidor consiga críticas, análises, preços e conselhos sobre o produto que pretende adquirir em menos de 10 minutos, e isto para ser pessimista no tempo de obtenção dessa informação. O consumidor, a par do seu recente poder de publicação de informação baseado na sua própria audiência, conseguiu uma importante mudança no paradigma do marketing, da publicidade e conseguiu mexer na cadeia do produto, principalmente no factor preço. Os consumidores evoluirão tanto quanto as suas plataformas de eleição, mas gostaria de deixar um pequeno apontamento para o comércio localizado, diferente de comércio local. O comércio e as ofertas geo-localizadas são uma das grandes tendências já em marcha, mas ainda pouco exploradas localmente, ao nível do comércio das cidades com menos população. O sítio da compra momentânea é que vai interessar, e esse dominará o princípio da relevância e da decisão da compra: o cruzamento entre o que gosto, onde estou e a melhor oferta. Essa sim, será a tendência do consumidor do futuro, já vista hoje, aqui e ali!

Muito obrigado.

http://www.zoomzine.net/

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[…] contrário do que é habitual, desta vez fomos nós convidados a dar uma entrevista ao blog Consumer Behaviour Portugal, projecto da autoria de Francisco Teixeira, especialista em Comportamento do Consumidor e Pesquisa […]

… E o resultado é surpreendente!

Parabéns!
Francisco Teixeira


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