Afinal: porque temos de pedir factura?

Posted on Fevereiro 4, 2015. Filed under: Comportamento do Consumidor | Etiquetas:, , , , , , , , |


FACTURADiz o Governo que os cidadãos devem pedir sempre factura – é uma forma de ajudar o país e permitir que a economia avance. Desconheço os meandros que transformam o acto de pedir factura em vantagens para o país. Mas sei que este assunto da factura é um exercício de hipocrisia e falta de vontade entre partes.

Em primeiro lugar: porque é que se tem de pedir factura?

Se é uma medida que ajuda o país, porque é que as empresas não são obrigadas, pura e simplesmente a tirar a factura, em vez de um “ticket”? No país da tecnologia de ponta nas caixas ATM, da Via Verde… ainda não se criou uma solução para esta questiúncula? O que impede o estado de obrigar todas as empresas a passarem factura, POR DEFEITO? E porque é que em muitos serviços e produtos, não é preciso pedi-la – ela é-nos sempre entregue?

Em segundo lugar: porque é necessário “dar os dados” para passar factura em empresas que fazem parte de um mesmo grupo?

Certamente já entraram numa bomba de uma estação de serviço da auto-estrada e, para passarem factura, pedem-vos os dados pessoais. Acontece que 200km à frente, param outra vez numa bomba que é da mesma petrolífera em que entraram anteriormente. Perguntam-vos novamente os dados, ao que retorquem: “Mas eu já dei os meus dados a esta empresa!”. Paciente, o funcionário responde: sim, vendemos os mesmos produtos, mas esta bomba é de uma empresa – a outra de onde veio era outra empresa diferente.

Embora compreenda, penso que talvez convenha a muitas empresas que haja entraves a que se peça factura. E como convém não passar facturas, poucas estão dispostas a pensar sobre o assunto. Mas eu questiono: se um mesmo cartão de fidelização serve para várias bombas de gasolina de uma mesma petrolífera, e os dados são cruzados, porque não criar uma base de dados que sirva todas as empresas dessa mesma petrolífera para se passar uma factura? Porque é que os mesmos cartões de fidelização, que servem para escrutinar os hábitos de consumo de milhões de portugueses (para proveito das empresas), ao serem lidos pelos leitores de códigos de barra, não assumem já o número de contribuinte que consta do cartão, e que de forma tão zelosa nos pediram quando aderimos a ele? Se eu apresento um cartão da Galp, do Continente, do Pingo Doce, etc… para acumular pontos e promoções, o mesmo cartão tem associado um número de contribuinte – e a factura poderia ser passada sem que uma pessoa tivesse de “empatar” a fila, ao dar o seu número oralmente. Aí, a questão não seria eu pedir ou não a factura, mas sim alertar o/a funcionário/a caso a factura devesse ser passada em outro nome (o cartão de fidelização pode ser de outra pessoa).

Haveriam imensas hipóteses a serem exploradas para resolver este problema. Não há é vontade.

#factura   #Governo   #cartõesdefidelização

 

Francisco Teixeira
www.franciscoteixeira.com
Consultoria e formação em Comportamento do Consumidor
Customer Driven Innovation
Branding Strategy

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